sábado, 15 de dezembro de 2012

G


Eu sempre escrevo sobre tudo: alegrias, desejos, tristezas, realizações... Menos sobre nossa despedida. Escrever sobre isso seria como concretizar sua partida e eu queria me enganar que você ainda estava aqui. Mas o tempo está passando rápido e sua ausência está cada vez mais presente.

Primeiro no meu aniversário, você sabe, uma data que nunca gostei. Mas, esse ano, tive um aniversário lindo e incompleto, porque faltou você. E hoje é o seu, escrevo triste concretizando a distância que nos separa fisicamente.

Quantas vezes já disse a você que essa história de ter saudades só faz um bem danado ao Quaresma? Em mim dói, machuca. Lembro você todos os dias, qualquer coisa é suficiente para te recordar e sofrer um pouco mais.

Dezembro está chegando e eu me desespero ao pensar que você não vai estar aqui para passar a missa conversando na pracinha da igreja e comer peru na mesinha da sala comigo, falando mal da noite de natal ou para ficar bêbada e vomitar o quarto na ceia da família. É nosso primeiro dia 24/25 de dezembro separadas. 

Fico lembrando, com uma saudade quase feliz, do nosso passado quase louco. Daquela lei que dizia AMIGA É PARA TUDO. E você sabe que quem é minha amiga vai tomar um banho de cerveja de vez em quando, vai gravar vídeo dançando, vai assistir “Edward, mãos de tesoura” e vai ter que me ouvir cantar o dia todo. Você sabe e aceita. Aceita até meu romantismo camuflado de uma brutalidade sem fim. 

Compartilhei com você cada momento feliz, triste, sinistro, avassalador (haha, tipo, ir te buscar na pensão e tu está sentada em uma roda de homem com aquela blusa folgada do Chapeleiro Maluco). Porque eu amo cada lembrança que você faz parte e viveria tudo novamente, deixaria até você pegar meu melhor amigo (de novo) em cima da mesinha de ping-pong. E essas lembranças que me sorriem, me matam também. 

Em troca minha loucura consciente cuida e briga contigo cada vez que você faz uma besteira. Afinal, só você para conseguir deixar sua avó e eu ficarmos desesperadas te procurando enquanto tu estavas sendo feliz no CQC (e foi aí que tudo começou).

Só queria que tu colocasse a mão na consciência e se esforçasse de verdade para voltar para cá, para as pessoas que te amam muito, desde sempre.

Sofro muito com sua ausência e quase morro de vez em quando. Mas, nesse quase morrer, meu amor renasce e cresce cada vez mais forte, tendo a certeza que essa distância não vai roubar você de mim.

Te amo, G, muito!!

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